terça-feira, 29 de junho de 2010

O Grito Desesperante


Olhei em frente para o espelho. Tentei desafiá-lo, porém não consegui. A imagem que ele reflectia não era nítida. Os olhos que olhavam para a frente dele transbordavam. Transbordavam de Amor e Ódio. De solidão. De medo… De saudade!
O coração bateu, ora com mais intensidade, ora com menos. Um dia disseram-me que o coração não dói. Pois eu afirmo que é mentira. O meu dói e a dor alastra-se. Penetrando no meu corpo até chegar à alma.
A respiração ofegante ia contando, sem ninguém perceber, uma história. A história que conta um conto de fadas no princípio e no fim um drama melancólico.
Por mais que eu quisesse gritar, naquela altura, e partir o espelho… Não conseguia! A voz apagou-se nas entranhas dos soluços. E as forças dispersaram-se sem saber qual o caminho que haveria de seguir.
Embora que eu tente esquecer tudo, até ao mais íntimo pormenor, a memória volta. Cada vez mais feroz. Como se aquelas imagens da minha cabeça fossem uma colecção de facas.
E agora pergunto-me: de que vale a pena tentar comunicar se não comunica comigo? O sofrimento é a pior batalha de todas. Se ao menos eu pudesse voltar ao início.

P.s. A imagem que está aí apresentada é de um artista russo chamado Edvard Munch, a obra tem como nome de “O Grito”.

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